🎬50 tons de laranja
poder de trump sobre o cinema | tudum ao vivo | show do milhão | o ensaio de volta | semana 08 a 14/11
📌Destaque da semana
O agente laranja
E aí, fanfiquers!
Obs.: Chegamos tarde porque fomos conferir Ainda Estou Aqui no cinema (e adoramos). Mas vamos ao tema de hoje.
Abriremos a edição com uma análise sobre possíveis impactos da presidência de Donald Trump para as indústrias do cinema e TV estadunidenses — e não, não estamos falando de novas temporadas de O Aprendiz.
Quais as expectativas? O que deve mudar (ou não)?
Em off: 🔎 A primeira administração do Laranjão gerou um efeito de pânico dentro e fora dos EUA. Havia ali um temor de incertezas, potenciais tentativas de golpe de estado e redução de direitos de minorias — o que de fato aconteceu e pode piorar. Na eleição de 2016, o republicano perdeu no voto popular, inclusive.
Off do off: 🔎O primeiro episódio da segunda temporada da série High Maintenance (uma de nossas favoritas), disponível no Max, ilustra bem esse medo — com um plot polêmico e beeem desconfortável. Seria um momento interessante para Ben Sinclair e Katja Blichfeld fazerem um revival da série…
Agora, Trump venceu no voto popular e, de certa forma, suas falas pareceram mais aceitáveis para um volume considerável de estadunidenses — incluindo de estados com tendência democrata.

EUA: proteção para verdadeiros “americans”
A gestão anterior já mostrou uma forte tendência protecionista e isso pode continuar/se intensificar a partir de 2025. Novas barreiras comerciais mais duras em relação à China, por exemplo, poderiam encolher a arrecadação de bilheterias. Afinal, trata-se do segundo maior mercado de vendas de ingressos no mundo.
A perda de uma fatia dessa grana tem preocupado uma parte da turma executiva e produtora dos EUA. A China vinha mostrando sinais de desaceleração no consumo de filmes estadunidenses. Ainda assim, foram arrecadados US$ 797,3 milhões de janeiro até agora, de acordo com o The Hollywood Reporter.
Outro aspecto está relacionado a cineastas que desejam explorar diversidade étnica em seus filmes, o que envolve a colaboração com profissionais de outros países, como os da América Latina.
Isso poderia ser impactado pelo aumento de restrições ou novas políticas anti-imigração (tema recorrente na campanha trumpista), com regras rígidas contra a entrada de profissionais estrangeiros no país.
Trump seria sinônimo de mais grana… Para os estúdios
As produtoras e estúdios dependem de incentivos fiscais para bancar uma fatia dos custos de filmes e séries. Para algumas figuras do setor, o protecionismo do mão de Doritos seria positivo para aquecer esse mercado.
Em uma carta de 25 de setembro, a Motion Picture Association pediu ao Congresso que preservasse os benefícios do corte de impostos de Trump. Um dos argumentos é que ele “levou a um aumento profundo na produção e propriedade de filmes e televisão nos EUA”.
Youtra: a indústria do cinema e TV dos EUA não vive lá um momento de esbanjar gastos.
Aquele boom de vendas de ingressos de cinema, como no auge dos filmes de super-heróis, ficou para trás. Por outro lado, enquanto gigante do streaming, a Netflix vem reduzindo o orçamento da produção de originais.
Uma das tendências (ou talvez sintoma) dessa “crise” é que alguns estúdios têm levado filmagens a outros países em busca de incentivos fiscais (e economia). Já notou menções ao Canadá nos créditos finais de filmes como Deadpool & Wolverine e Armadilha?
Então, o país oferece um crédito fiscal de 25% sobre despesas de produções nacionais e internacionais, que atendam a algumas regras regulatórias (claro).
Nos EUA, esse incentivo varia de acordo com cada estado. Sendo assim, um local pode ser mais interessante se der match com o ambiente e narrativa de uma produção.
Cinema nos EUA: mais fusões à vista?
De volta ao Trump, há quem acredite que o futuro presidente vá aliviar os custos sobre fusões e (talvez) aquisições de outras firmas. Isso poderia causar uma “onda de consolidação” para grandes estúdios.
Algo defendido há pouco tempo por David Zaslav, CEO da Warner Bros Discovery, durante a apresentação do balanço do 3T de 2024 da companhia.
E do lado dos times criativos?
O site estadunidense TheWrap, especializado no mercado de entretenimento, conversou com diretores, produtores e consultores de Hollywood e se deparou com opiniões divididas em relação à influência do “ator” de Esqueceram de Mim 2.
Uns esperam tentativas de censura; outros acreditam que a indústria dará um jeito de contar narrativas diversas, enquanto resposta a discursos “anti-woke”, tão repetidos pela ala direitista — efeito que existiu durante o primeiro mandato.
Essa foi a defesa do produtor Rob Eric, cuja empresa (Scout Productions) desenvolveu o reboot de Queer Eye na Netflix, reality mais longo da plataforma, justamente sob o governo de Trump.
No mesmo período, também foram lançados filmes como Pantera Negra, Lady Bird, Nomadland e Corra!, todos com indicação ao Oscar.

fic. de olho 👀: por mais que perfis como Nerd Boomer tragam o choro constante de fãs de super-heróis quando veem uma mulher em filmes, a real é que não só Hollywood como empresas em geral reduziram o discurso pró-diversidade.
Rolou a morte do movimento #MeToo lá fora, além de “timidez” em parceria/publis no mês do orgulho LGBTQIAP+ tanto no Brasil quanto na gringa.
Apenas 15% dos 100 principais filmes de 2022 tinham equilíbrio de gênero no elenco. Em outras palavras, meninas e mulheres estavam em 45-55% dos papéis com fala ou diálogo, segundo dados da Annenberg Inclusion Initiative, grupo de estudos de diversidade da University of Southern California.
Tudo isso tem um forte reflexo do avanço de fundos anti-ESG lá nos EUA. Pode parecer besteira, mas essa ideologia influenciou até distribuição de investimentos em empresas em alguns estados do país.
Guerra cultural no cinema?
Temos visto lá fora a menção a uma guerra cultural (sim, sem aspas), que poderia rolar entre produções pró ou contra diversidade.
No fim, existe uma expectativa de que os estúdios já estejam “de boas” em relação a esses temas. Traduzindo: eles não devem se envolver demais em debates de diversidade, embora possa haver uma pressão do público em casos gritantes.
E, convenhamos, essas corporações já estão em uma posição confortável, pois não existem mais aqueles movimentos por mais inclusão nas produções como falamos acima.
No contexto do streaming, contudo, existe uma tendência em criar narrativas globais. Ou seja, que atendam pessoas de várias partes do mundo e não representem apenas estadunidenses.
Apesar de tudo, Trump trouxe de volta em sua campanha coisas como “american way of life” (estilo de vida americano) e “american dream” (sonho americano), que tanto influenciaram a cultura mundial na década de 1950.
Isso deve se refletir em novas séries e filmes? Deixamos essa pergunta tanto para contextos de defesa desses valores quanto de crítica a eles.
E quanto aos filmes independentes, cujas abordagens têm mais abertura para posições combativas? Grande parte deles, ironicamente, é desenvolvida nos chamados “red states” (“estados vermelhos” como Texas, Kentucky e Mississipi), dominados por votos republicanos. Lá, deve reinar o mesmo esquema de incentivo financeiro de sempre.
Resta saber quais longas ganharão mais projeção…
🚂Trem do hype
Os assuntos quentes da semana
Netflix aposta em conteúdos ao vivo
O antigo slogan “assista quando e onde quiser”, exibido pela Netflix, consolidou o modelo de maratonas que conhecemos. Assim, a plataforma se tornou pioneira em experimentar formatos, como conteúdos interativos e ao vivo (mas fora do universo dos esportes).
E é justamente no “ao vivo” que esse streaming tem apostado cada vez mais.
Tudo começou com especiais de comédia e depois no reality show Casamento às Cegas, passando pelo programa Ao Vivo do Lado de Lá com Tyler Henry — em que o médium dá conselhos e traz mensagens do além aos convidados (oiii???).
Depois, foi lançada uma competição de comer cachorro-quente e, mais tarde, chegou ao catálogo Hora do Jantar com David Chang — no qual o chef queridinho da Tudum cozinha para celebridades.
Para a Netflix, esse investimento serviu como laboratório para testar a programação ao vivo com um público menor e, sobretudo, se preparar para receber eventos maiores.
O primeiro grande passo desse formato vai rolar amanhã (15), com a luta de boxe de Jake Paul vs. Mike Tyson, previsto para às 22h.
fic. de olho 👀: Mas se engana quem pensa que a estratégia visa apenas diversificar o conteúdo na plataforma. Atrás das cortinas, estão os motores que fazem o ao vivo funcionar: os anúncios.
Não é de hoje que a Netflix adapta a forma como insere publicidade. A última cartada foi acabar com o plano básico e migrar os assinantes para uma versão padrão com anúncios.
Além disso, há opções sem os ads, nos quais teoricamente as pessoas não veriam qualquer tipo de propaganda. Mas é aí que está o pulo do gato... 🐈
Dessa forma, o serviço tem o poder de colocar na tela de seus clientes qualquer tipo de publicidade, mesmo para aqueles que contrataram planos sem anúncios.
E isso, claro, chama a atenção de marcas: só para a luta entre Paul e Tyson, o streaming conseguiu mais de 5 patrocínios. Embora a Netflix tenha quase ignorado os esportes até então, esse deve ser um momento de virada de chave para o app.
Com a expectativa de conseguir sucesso comercial com a luta, a Tudum já fechou outras parcerias, como jogos de Natal da NFL ainda neste ano e com as lutas livres da WWE no começo de 2025.
Seria mais um nocaute nos seus concorrentes? 🥊
😋Snacks
Você é burro, cara
Estamos encantados com a volta de Show do Milhão.
A nova temporada do clássico do Programa Silvio Santos, agora apresentado por Patrícia Abravanel, tem se mostrado um bom entretenimento — mesmo com sérios problemas quanto à inserção de marcas anunciantes e com a “ajuda” dos universitários. Assista para entender…
Batman decreta falência
Final de ano tá aí, período que algumas pessoas buscam trocar de carro para exibir nas reuniões familiares (baseado em fatos reais desta redação).
Para impressionar de verdade quer uma dica? A Warner anunciou a venda de 10 modelos funcionais do batmóvel, usados em O Cavaleiro das Trevas, pela bagatela de US$ 3 milhões cada. Mas imagina o valor do IPVA...
Nathan stuns em nova temporada
De maneira inesperada, a HBO anunciou a segunda temporada de O Ensaio, série maluca feita pelo doido Nathan Fielder. Para quem nunca viu, o formato é bem experimental e traz uma lógica de reality, que “prepara” pessoas para enfrentar um momento decisivo por meio de um ensaio que reproduz esse momento. Quem já viu Nathan For You tem uma noção da doideira… A data de lançamento? Em algum momento de 2025…
Vem aí
Ainda na HBO/Max, o streaming lançou um vídeo com as principais atrações para ano que vem. Dentre os destaques estão vislumbres inéditos das novas temporadas de The White Lotus, Hacks e The Last of Us.
🌟Lançamentos da semana🌟
Coisas que merecem a sua atenção
fic. com nossa curadoria:
🎬 Nos cinemas o destaque fica com Gladiador 2, nova promessa de épico de Ridley Scott.
📺 Na Netflix, dia 16 estreia A Baleia — filme que deu o Oscar de Melhor Ator para Brendan Fraser.
📺 Já o Disney+ adicionou no catálogo Deadpool & Wolverine. Se você, assim como nós, não quis gastar dinheiro no cinema para ver a última presepada da Marvel, agora é a hora.
📺 Com o fim de Pinguim, a nova aposta do Max chega neste domingo (17) com Duna: A Profecia, série spin-off da franquia comandada por Denis Villeneuve.
📺 No Prime Video chegou o filme Marcel, a Concha de Sapatos.
Até a próxima semana, galera!
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